Controle de qualidade é definido como “técnicas e atividades operacionais utilizadas para monitorar o cumprimento dos requisitos da qualidade especificados”. Dentro de um serviço de hemoterapia existem inúmeros controles que devem ser realizados para assegurar a qualidade dos produtos oferecidos.
Um exemplo de controle de qualidade em hemoterapia é o controle de qualidade realizado em uma porcentagem dos hemocomponentes para avaliar se os mesmos cumprem os requisitos especificados e podem ser liberados para uso. Para cada tipo de hemocomponente são realizados testes de alguns parâmetros para definir se os mesmos estão adequados.
Além desse controle dos hemocomponentes, cada laboratório deve utilizar controles de qualidade para cada teste que realiza. Este controle de qualidade é chamado de controle de qualidade interno (CQI) e são controles adicionais aos controles fornecidos pelos fabricantes e que fazem parte dos kits de diagnóstico. Este CQI deve refletir as amostras que são testadas pelo laboratório e devem ser testados todas as vezes que o exame for realizado. Para todos os testes devem ser utilizados controles positivos e negativos. A utilização do CQI deve estar prevista nos procedimentos operacionais padrão do laboratório bem como os critérios para análise dos seus resultados. Estes controles de qualidade podem ser produzidos internamente pelo laboratório ou serem adquiridos de alguma empresa.
Além do CQI, todo serviço de hemoterapia deve participar de um controle de qualidade externo (CQE) para cada analito testado. O CQE consiste em contratar uma empresa que fornecerá amostras conhecidas periodicamente ao serviço. Por sua vez, o serviço testa essa amostra da mesma maneira que as amostras da sua rotina são testadas e envia os resultados ao fornecedor. Após essa etapa, os resultados corretos são então enviados ao serviço e aquele serviço que atende aos critérios do programa recebe, depois de cada ciclo, um certificado atestando seu desempenho.
Tão importante quanto a realização do controle de qualidade interno e do controle de qualidade externo é a avaliação dos resultados desses controles. Sempre que o laboratório obtiver um resultado considerado não-conforme, a causa desta não conformidade deve ser identificada. As causas mais comuns de mau desempenho nos controles de qualidades são: equipamentos inadequados ou descalibrados, falhas dos reagentes (por perda de reatividade, armazenamento em temperatura inadequada, etc), ambiente fora dos padrões para a realização dos testes (ambiente com temperatura inadequada) ou equipe não treinada para a sua realização. Uma vez identificada a causa da falha no controle de qualidade, é necessário que sejam propostas ações corretivas alinhadas a esta causa.
A utilização adequada dos controles de qualidade tanto interno quanto externo, bem como o gerenciamento dos seus resultados, assegura a qualidade dos testes realizados e minimiza as chances de liberação de resultados não conformes.
A incorporação dos controles de qualidade nas rotinas laboratoriais é exigida pela legislação vigente para serviço de hemoterapia independentemente do nível de complexidade do serviço. Por este motivo, deve ser realizado tanto por laboratórios de alta complexidade como em laboratórios de menor complexidade como as agências transfusionais, mesmo as de pequeno porte.
Esperamos que vocês tenham gostado e até a próxima.
Equipe Erytro